Avançar para o conteúdo principal

Depressão, a doença da tristeza - Parte 1

Hoje vamos falar sobre uma epidemia silenciosa, que gosta de se camuflar de tristeza.

Estar triste é sentir melancolia. Sentir melancolia é pintar a imagem interior com cores sombrias. Tudo o que vemos e pensamos passa por um filtro pessimista, cinzento. Há um grande mal-estar afectivo.

As diferenças entre a tristeza psíquica (reactiva) e a tristeza depressiva (sem motivo) são interessantes. A tristeza psíquica deve-se a
motivos negativos óbvios, que tiveram um impacto desagradável, o indivíduo está triste porque tem motivos para o estar. Ao contrário, na tristeza depressiva, não existem quaisquer motivos embora o doente, numa tentativa de entender e analisar o que lhe está a acontecer tente racionalizar e confira uma importância exagerada a factos em si mesmos menores, triviais.

A depressão é uma das doenças mentais do foro psicológico mais comuns. É também uma das mais difíceis de diagnosticar, pela complexidade de sintomatologia e comorbilidade com outras doenças. Há estudos que indicam que apenas 5% das pessoas com depressão são correctamente diagnosticadas e tratadas. O termo depressão indica uma grande variedade de estados que afectam tanto o corpo (estados somáticos) como a mente. Pode definir-se como um “distúrbio do humor”, prolongado no tempo que faz com que a pessoa sinta uma tristeza, melancolia, angústia que reduzem acentuadamente a vontade e energia de realizar as tarefas do dia-a-dia, bem como o prazer no desempenho de actividades normalmente apreciadas. Pode levar a dores físicas, como dores de cabeça ou dores psíquicas, como a perda de vontade de viver.

http://diariodeumcaranguejo.files.wordpress.com/2009/03/ytyty.jpg

Sintomas da Depressão

Os sintomas reveladores de um estado depressivo são muitos e variados, sendo necessário o seu diagnóstico por um especialista. Do ponto de vista clínico, é necessário, para que se verifique um diagnóstico de depressão, que se encontrem determinado número de sintomas em simultâneo durante um certo período de tempo. Estes são os sintomas mais característicos:

  • Mal-estar interno generalizado.
  • Desvalorização de si próprio: perda de confiança nas suas capacidades, na sua auto-estima e no seu valor pessoal
  • Desvalorização da realidade: como difícil, complicada e inacessível. Sente-se vencido, à partida, inútil. Desiste com facilidade, encerra-se em si mesmo.
  • Desvalorização do futuro: bloqueado e desesperado. Não vê saída para os seus problemas, é incapaz de visualizar um futuro positivo, vítima de um destino injusto.
  • Instala-se uma acentuada perda de interesse ou prazer por quase todas as actividades habituais.
  • Diminuição do apetite, perda significativa de peso ou pelo contrário, aumento de apetite com aumento considerável de peso.
  • Distúrbios de sono, quer insónia, quer hipersónia, quase todos os dias.
  • Agitação ou pelo contrário, lentificação psicomotora (ou seja, do funcionamento físico e mental) quase todos os dias.
  • Perda de energia, acompanhada de fadiga constante, quase todos os dias.
  • Indecisão ou redução da capacidade de pensar ou de concentração, quase todos os dias.
  • Ansiedade associada à depressão.
  • Sentimento excessivo ou inapropriado de ser indigno (ou seja, de não se merecer aquilo que se tem ou que se consegue), autocrítica ou culpabilidade.
  • Pensamentos recorrentes acerca da morte, desejo de estar morto, tentativas de suicídio.

Epidemiologia da Depressão

  • A depressão é uma condição médica definida que afecta 20 por cento da população portuguesa.
  • A depressão é a principal causa de incapacidades e a segunda causa de perda de anos de vida saudáveis entre as 107 doenças e problemas de saúde mais relevantes. Os custos pessoais e sociais da doença são muito elevados.
  • Uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre, sofreu ou vai sofrer de depressão. Um em cada cinco utentes dos cuidados de saúde primários portugueses encontra-se deprimido no momento da consulta.
  • A depressão encontra-se reconhecida no Plano Nacional de Saúde 2000-2010 como um problema primordial de saúde pública.
  • Estima-se que esta doença esteja associada à perda de 850 mil vidas por ano, mais de 1200 mortes em Portugal.
  • A depressão é mais comum nas mulheres do que nos homens: um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde, em 2000, mostrou que a prevalência de episódios de depressão unipolar é de 1,9 por cento nos homens e de 3,2 por cento nas mulheres.


Quais são os factores de risco?

  • Pessoas com episódios de depressão no passado;
  • Pessoas com história familiar de depressão;
  • Pessoas do género feminino – a depressão é mais frequente nas mulheres, ao longo de toda a vida, mas em especial durante a adolescência, no primeiro ano após o parto, menopausa e pós-menopausa;
  • Pessoas que sofrem um qualquer tipo de perda significativa, mais habitualmente a perda de alguém próximo;
  • Pessoas com doenças crónicas - sofrendo do coração, com hipertensão, com asma, com diabetes, com história de tromboses, com artroses e outras doenças reumáticas, SIDA, fibromialgia, cancro e outras doenças;
  • Pessoas que coabitam com um familiar portador de doença grave e crónica (por exemplo, pessoas que cuidam de doentes com Alzheimer);
  • Pessoas com tendência para ansiedade e pânico;
  • Determinados tipos de personalidade;
  • Pessoas com profissões geradoras de stress ou em circunstâncias de vida que causem stress; - Burnout
  • Pessoas com dependência de substâncias químicas (drogas) e álcool;
  • Pessoas idosas.

No próximo capítulo, a não perder:
Depressão, a doença da tristeza - Parte 2

Ajamos sobre o que sentimos, antes que o que sentimos aja sobre nós!

Isabel Filipe

Comentários

  1. ...FIBROMIALGIA:
    Sou terapeuta em REFLEXOLOGIA,
    pelo I.O.R, 73 anos de idade com 40 anos dedicados ao estudo e pesquisa do comportamento humano. Tenho atendido vários portadores de FIBROMIALGIA, (DÔRES NO CORPO COM MUITA INTENSIDADE).
    Recebendo as técnicas da REFLEXOLOGIA, o Paciente consegue obter ótimos resultados; que proporcionarão assim uma excelente melhora em sua qualidade de vida.
    A REFLEXOLOGIA consiste em ativar pontos específicos nos pés, desbloqueando canais
    de comunicação com o cérebro, para que este
    possa agir, corrigindo assim o problema.
    Não tem contra indicação para estes
    casos e não usa medicamentos
    Visite meu Site: www.djalma.com.br
    São Paulo SP ( Metrô Santana) BRASIL. :.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Gestão das Emoções, suas competências e aspectos

Continuemos a nossa jornada pela Gestão dos nosso sentimentos! Hoje vamos conhecer, aprofundadamente, o modo de gerirmos as nossas emoções, tendo em conta os seus aspectos pessoais e sociais! Mas atenção: Ler é fácil... Difícil é por em prática o que descobrimos. Mas se pensarmos bem, o mero conhecimento da vida não nos permite vive-la, portanto sugiro: porque não experimentar o que vos parecer agradável?

Confiança em si próprio

Auto-confiança! Esta palavrinha pequena, com consequências tão grandes! Com toda a certeza, há dias em que se sentem mais seguros de vocês próprios e outros que parece que não vale a pena afirmarem-se nadinha, pois estão muito incertos que valha a pena partilharem o que quer que seja... Ainda podem conhecer aquelas pessoas, que "muito cheias delas mesmas", consideram que, independentemente de com quem estão, eles sabem mais, conhecem melhor, praticam com mais mestria! Daí que seja tão útil (e mais agradável para a sociedade!!!) termos um nível óptimo de auto-confiança! Para cuidarmos bem de nós e para respeitarmos o outro! Mais à frente iremos aprofundar a

Posso melhorar a opinião que tenho de mim próprio?

Ora vamos finalmente inserir informações neste espaço criado para que possamos partilhar acções e sentimentos! Começamos com autoestima, conhecermos e estimularmos a nossa só depende d e nós mas afecta a todos! Leiam, ajam, s intam e comentem! Este tema ins ere-se no Desenvolvimento Pessoal, da sondagem sobre os temas que preferem, o qual mereceu o seu primeiro voto antes de todas as outras áreas, pelo que vai estrear o nosso blog! Falemos então sobre a autoestima! A autoestima é dos melhores amigos que podemos ter quer para sermos mais felizes, quer para tratarmos os outros com mais respeito! Se juntarmos o nosso auto-conhecimento e o nosso auto-respeito, deparamo-nos com a nossa autoconfiança! E se juntarmos a nossa autoconfiança à nossa autoestima, resulta no